Marienplatz

Um cão de pulôver.
Crianças insones.
O suficiente etéreo.
Ganhar tempo
aumenta a espera.
Galanteio inútil
sobre cenho intenso:
precisa de férias, diz.
Abre a cerveja num esgar,
colhe as moedas do balcão,
perde a conta (perde?) e ri.
Errará alguma soma
(ou, em vernáculo:
erra ela algo)?
Muito ar a entorna.
Toda sua, pouco
ou nada doutrem.
Impossível tangê-la,
tampouco esperá-los,
que se tardam, como previsto.
Enigmas demais?
Não é da sua conta.
Afrontá-la-íamos – ela assobia
– se lhe devolvêssemos
o que pensa.
Povo louco.
Parece até fácil
ser por si.
Sorri, de fato?
Quem nela sorri?
O que deseja nela?
Como saber se algo
entre nossos
anseios se
confunde
(se é que há desejo algures)?
Este fim é que tudo corrompe:
a sensação de já ter havido
e amado toda ela,
todas elas.
Esta felicidade,
espécie de certeza,
que (ela principalmente)
afloram. Feito em casa,
a sós, ou a esmo.
Ótica básica:
no espelho, o que te vê, vês –
procuras, nativa? Tenho piores.
Queres tudo?
Embora falto de buscas,
sigo tentando perdê-las,
como essas contas tuas.
És, a teu modo, perfeita?
Sou, ao meu, mártir.

Munique, 18 de agosto de 2004

Inéditos
© 2008 Guilherme Scalzilli
 
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