“Entendeu?”
Abre-te em vanglórias,
emborcadas às paredes
e às coisas do apartamento.
Tuas sobras, que ainda
guardas,
driblando as vigílias tormentosas,
afoita de fugidia lucidez,
tateiam, serpentes pegadiças,
coçando nos contornos débeis,
roçando também os nossos, lentos.
Chove horrores há
horas;
na jaula calma desembestas
e destilas, nessa dança nervosa,
a teia de esperanças
ariscas
que nos fazem (a mim e às coisas),
antes intrusos, ora detentos.