“Entendeu?”

Abre-te em vanglórias,
emborcadas às paredes
e às coisas do apartamento.

Tuas sobras, que ainda guardas,
driblando as vigílias tormentosas,
afoita de fugidia lucidez,

tateiam, serpentes pegadiças,
coçando nos contornos débeis,
roçando também os nossos, lentos.

Chove horrores há horas;
na jaula calma desembestas
e destilas, nessa dança nervosa,

a teia de esperanças ariscas
que nos fazem (a mim e às coisas),
antes intrusos, ora detentos.

Inéditos
© 2008 Guilherme Scalzilli
 
Poemas